Em plena Semana das Camélias do Porto, e porque a cidade já está repleta de camélias, recordo aqui um roteiro para descobrir o Porto em época de camélias desenhado pelo historiador Germano Silva. Do Palácio de Cristal à Casa do Infante, este roteiro é também uma viagem por alguns dos locais mais românticos do Porto. Para além deste passeio, é imprescindível visitar a Quinta Villar d’Allen, sobre a qual já escrevi também aqui.

1. Palácio de Cristal

Comece pelos jardins do Palácio de Cristal, onde as camélias em flor fazem o deleite dos visitantes.

Jardins do Palácio de Cristal

Jardins do Palácio de Cristal

Camélia Rosa Palácio de Cristal

 

2. Palacete do Visconde Silva Monteiro

A actual sede da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, na rua da Restauração, está instalada no antigo Palacete do Visconde Silva Monteiro, um negociante liberal que enriqueceu no Brasil e, no regresso, mandou construir esta casa, numa altura em que a rua se chamava Rua do Ouro pois nela viviam as pessoas de riqueza. O visconde foi director do Palácio de Cristal e esteve ligado a muitas empreitadas e causas sociais, tendo fundado o Hospital de Crianças. As suas filhas foram as fundadoras do Curso de Música Silva Monteiro, cuja escola ainda perdura.

Camélia Viscondessa de Silva Monteiro (Foto de António Assunção, Viveiros Flavius, Guimarães)

3. Largo do Viriato

Mais acima, à direita, de esquina com o cruzamento entre a Rua da Restauração e o Largo do Viriato, há uma moradia em tom baunilha que pertencia a João Allen, negociante portuense de ascendência britânica ligado sobretudo à exportação do Vinho do Porto, que aqui tinha o seu escritório. Coleccionador de arte , viria a fundar o primeiro museu do Porto, o Museu da Restauração, cujo espólio foi mais tarde incorporado no acervo do Museu Nacional de Soares dos Reis.

João Allen edificou ainda uma residência de Verão em Campanhã, a Quinta Villar d’Allen. Testemunho vivo das quintas românticas do século XIX, no Porto, esta quinta tem extensos jardins abertos aos visitantes. E foi deles que saiu a camélia Gomésia, vencedora do prémio de Melhor Camélia de Origem Portuguesa, atribuído na XX Exposição de Camélias do Porto. Siga para o Passeio das Virtudes.

Edifício da Cooperativa Árvore, projectado por Nasoni, no Passeio das Virtudes

4. Horto das Virtudes

Do Passeio das Virtudes vê-se o Horto das Virtudes (vejam aqui o meu artigo sobre este jardim vertical). Este horto pertencia a José Marques Loureiro, famoso horticultor e coleccionador de camélias- Como viveirista de camélias, foi durante muitos anos fornecedor da Casa Real e, em 1865, quando faz o primeiro catálogo para a abertura da Exposição Internacional do Porto, no Palácio de Cristal, tinha já à venda no seu horto, na Quinta das Virtudes, cerca de 750 camélias.

Hoje ainda são visíveis camélias neste horto, por muitos desconhecido no Porto em parte pelo seu acesso escondido. Mas este jardim tão peculiar, em socalcos, sobre o leito do rio Douro, merece uma visita sem pressas.

A majestática Fonte das Virtudes, hoje desactivada, tinha propriedades medicinais pois dizia-se que curava a hidropisia.

Horto das Virtudes e Fonte das Virtudes (à direita em baixo)

5. Antigo Clube Inglês

Junto ao portão de entrada está uma centenária camélia. Este edifício assenta numa das torres da muralha do século XIV e foi Casa de Repouso da Congregação de São Bernardo, até ser adquirido e remodelado em 1834 por um abastado comerciante portuense. No início do século XX foi sede do Clube Inglês. Além da colorida clarabóia, o interior revela a decoração com tectos pintados.

Antigo Clube Inglês e Camélia

6. Rua da Vitória

Caminhando pela Rua da Vitória, passa-se por uma escadaria que desce entre as casas do bairro e abre a paisagem sobre a cidade com a Sé no alto do horizonte. Já a subir, à direita surge a antiga casa dos Cabral, que hoje em dia é o Hotel Vitória Village. Lá dentro, um jardim que outrora era povoado de camélias, de que ainda resiste uma em tons rosa, permite contemplar a cidade de forma privilegiada por se encontrar nesta colina da cidade.

Vista da Rua da Vitória

7. Rua das Flores

Esta rua é uma das artérias revitalizadas do centro da cidade, com novas lojas, cafés e frequente animação de rua. Nela fica também a Igreja da Misericórdia, de 1555 e reedificada por Nicolau Nasoni em 1748 em estilo barroco com formas de rococó.

Montra na Rua das Flores

8. Casa do Infante

Continuando a descer e entrando na Rua da Alfândega, vai encontrar, do lado esquerdo, a histórica Casa do Infante, onde terá nascido em 1394 o Infante D. Henrique.

Esta casa é um complexo de edifícios que foram servindo para albergar os serviços da Coroa no Porto – as Torres da Alfândega (1325) e a Casa da Moeda.

Lá dentro há vestígios de construções romanas dos séculos III e IV, incluindo os primeiros mosaicos do Baixo Império encontrados no Porto.

Germano Silva Pátio Casa do Infante

Mosaico Romano Casa do Infante_800

9. Termine o passeio na Ribeira, de onde poderá contemplar o rio, a Ponte Luís I e as caves do Vinho do Porto na margem de Gaia.