Gdansk, no Polónia, é uma antiga cidade portuária conhecida por ser a capital mundial do âmbar. Este destino dourado da Polónia viu a sua arquitectura ser moldada ao longo dos séculos por abastados mercadores, que lhe imprimiram um traçado com influências do mundo e deixaram um património riquíssimo e de uma beleza singular.
A sua florescência cultural tem atraído cada vez mais visitantes, fascinados tanto pelo seu passado glorioso como pelo cosmopolitismo que respira. O centro histórico mantém todo o esplendor de outros tempos e,embora não o denote, foi completamente destruído durante a Segunda Guerra Mundial. O que hoje se vê é na verdade fruto de uma reconstrução minuciosa, um hino ao seu orgulho histórico.
Esta é uma cidade onde apetece estar. Quando a visitei senti-me acolhida e atraída por todo o seu bom frenesim, que não tem nada de cansativo, reflectindo antes um espírito luminoso e vívido. Dos imensos pontos de interesse da velha Gdansk, deixo-vos aqui os que mais me cativaram e que, como um todo, reflectem a sua identidade.

O centro histórico de Gdansk

Entre na velha cidade pelo Portão Dourado ( Złota Brama), construído em 1612 e que é uma espécie de arco do triunfo com oito figuras alegóricas. Juntamente com o Portão Alto ( Brama Wyżynna) e a Torre da Prisão ( Wieża Więzienna), forma parte das fortificações da cidade.
Passado este portão, estará na Rua Grande (ulica Długa) que, apesar do nome, só tem 300 metros de comprimento. Tanto de dia como à noite, esta é uma zona das mais activas da cidade para visitar.

Gdansk Golden Gate and Long Lane
Passe também pelo Portão Verde ( Zielona Brama) e entre na rua conhecida como o Grande Mercado (Długi Targ).
Aqui, como em todo o coração de Gdansk, as cores dos edifícios combinam com o pulsar da cidade. A cada passo encontram-se músicos, artistas de rua e vendedores de belíssimo artesanato e até pintura. Há vários mercados de rua que vendem desde legumes frescos a antiguidades.

Quem, como eu, gosta de ter uma visão abrangente da cidade, pode subir às torre do edifício da Câmara ou da Basílica de Santa Maria, sendo esta a mais alta de Gdansk.

O edifício da Câmara Municipal de Gdansk data do século XIV, tendo sido reconstruído no século passado. É lá que está instalado o Museu Histórico de Gdansk. A sua impressionante torre de 50 metros de altura, com uma glamorosa cúpula que alberga um grande carrilhão encimada por uma estátua dourada do rei polaco Sigismund II.

Gdansk City Council Tower Night


Não muito longe ergue-se a maior igreja forrada a tijolos do mundo, a Basílica de Santa Maria, de 1343. De dimensões colossais (pode albergar 25.000 pessoas!), a basílica é um ponto de referência com o seu magnífico conjunto de torres, das quais se destaca a maior, de 77 metros. São 410 degraus até ao topo, onde há uma galeria para ver toda a cidade. É uma visão fantástica.

Gdansk St Mary's Church
No interior da basílica há um enorme relógio astronómico do século XV que mostra a hora e a data, as fases da Lua e o calendário dos santos. Adão e Eva tocam a campainha à hora certa.

O centro histórico de Gdansk é também o melhor local para conhecer a história antiga e também contemporânea desta cidade, nos seus muitos museus.

Os Museus de Gdansk

Gdansk tem muitos museus e todos merecem uma visita, mas se tiver o tempo limitado, como eu, que visitei a cidade durante dois dias, não deixe de conhecer estes:

Museu de História de Gdansk

Este museu conta a história de Gdansk ao longo de mill anos. Tem vários pólos, dos quais se destaca o Tribunal de Artus, em homenagem ao lendário rei Artur, que data de 1350.

Gdansk History Museum Artus Court

Impressionaram-me especialmente os belíssimos e detalhados modelos de navios à escala, suspensos no ar por fios.
Mesmo em frente fica a Fonte de Neptuno (foto de abertura deste artigo).

Museu Marítimo de Gdansk

Pertencem a este museu vários edifícios, entre os quais o Museu Centro Marítimo , com exposições ligadas à história dos portos de mar, da construção naval, da navegação e do comércio de Gdansk. Aí pode ver barcos eslavos, barcos medievais de Gdansk, navios de guerra dos séculos XVI e XVII, barcos polacos mercantes e de passageiros de 1920 a 1939. Estão ainda expostos exemplares de embarcações da Oceania, da Indonésia e de África. Mas o melhor mesmo é que este museu tem dois navios visitáveis ancorados no rio Motlawa, ambos visitáveis, o navio Soldesk e o veleiro Dar Pomorza.

Gdansk Soldek ship

Dar Pomorza Gdansk

Museu do Âmbar

É a localização de Gdansk na costa do mar Báltico, onde em tempos ancestrais existiam bosques tropicais que hoje só podemos imaginar, que lhe confere o estatuto de capital mundial do âmbar, a magnífica resina fossilizada de pinheiros e coníferas com cerca de 40 milhões de anos. Os bosques já não existem, mas deixaram como legado a Gdansk 80% do âmbar de todo o mundo.
No Museu do Âmbar podemos deslumbrar-nos com a variedade de tonalidades de âmbar que existem: dourado, preto, branco, acastanhado e até verde ou azul, os mais raros. E perceber que o âmbar báltico não é só usado em jóias, como também serve de material para objectos decorativos de grande beleza.
O que este museu tem de peculiar é que está instalado no antigo Forte de Gdansk, onde existiu a Torre da Prisão e a Câmara de Tortura

Depois de visitar o museu e de entender as diferenças de pureza e raridade dos diferentes tipos de âmbar, entre nas elegantíssimas joalharias especializadas onde se encontram verdadeiras obras de arte de âmbar. A um preço mais acessível, pode também comprar colares, pulseiras, anéis e brincos de âmbar nas imensas bancas que há nas ruas de Gdansk.

O Grande Guindaste

O Grande Guindaste de Gdansk é um dos símbolos da cidade e representa o que resta da era dourada do comércio da cidade. Data de 1442 e era usado para transferir cargas e colocar mastros em barcos. Tinha também uma função defensiva e era uma das portas da cidade.

Os seus monumentos, história e vivacidade tornam Gdansk  um destino dourado na Polónia.