A vila de Baião fica no coração do Douro Verde, o destino luxuriante de transição entre a granítica região dos Vinhos Verdes, no Entre-Douro-e-Minho e a região do Douro Vinícola, a nordeste. O município de Baião é um ponto de partida de excelência para descobrir o Vale do Tâmega e Sousa. Podiam ser mais, mas deixo-vos aqui 6 razões para visitar Baião:

1. Viajar no tempo na Fundação Eça de Queiroz

Há muito que sou uma admiradora da obra e da figura de Eça de Queiroz. A primeira razão pela qual decidi ir a Baião foi poder visitar a casa que inspirou este grande escritor a escrever o romance “A Cidade e as Serras” e na qual se cruzam o imaginário e o quotidiano queirosiano, a Casa de Tormes, onde está instalada a Fundação Eça de Queiroz. Como o Solar dos Condes de Resende, sobre o qual já escrevi aqui, a Fundação Eça de Queiroz permite viver a experiência de estar num ambiente onde o próprio Eça viveu, conhecendo as suas rotinas e recordando episódios marcantes numa visita guiada especial. A casa está recheada de muitos objectos que acompanharam o autor ao longo da vida. As janelas abrem-se sobre um cenário que se mantém rural, pacífico e verde, propício a novas inspirações literárias.

2. Visitar o Mosteiro de Santo André de Ancede

No topo de uma colina, o Mosteiro de Santo André de Ancede surge imponente ao viajante que chega pela estrada. Uma visita a este espaço deve começar pela peculiar Capela do Senhor do Bom Despacho, do século XVIII. De estilo barroco e planta octangular, esta capela guarda uma peculiar narrativa da vida de Cristo, em que os episódios são representados como cenas de uma colorida peça de teatro, em que as personagens parecem mover-se, prontas a entrar em cena.

O mosteiro é de data anterior à da capela. Foi fundado no século XII e, já na época medieval, o vinho aqui produzido fazia parte dos circuitos comerciais do rio Douro e era canalizado para a cidade do Porto. Numa caixa prateada, resiste ao tempo o crânio de um frade que ganhou fama por alegadamente curar a raiva.

Na parte do celeiro e da adega vale a pena visitar o centro Interpretativo da Vinha e do Vinho, com uma exposição sobre o ciclo da vinha e do vinho e onde se pode ver um exemplar raro de uma pipa envolta em tronco de videira.Uma visita ao Mosteiro passa também por conhecer as ruínas do edifício, que serão intervencionadas num futuro próximo. Saiba mais sobre o mosteiro aqui.

3. Visitar o Museu Municipal de Baião e Conjunto Megalítico da Serra da Aboboreira

O Museu Municipal de Bião é na verdade um Núcleo de Arqueologia que testemunha o trabalho notável desenvolvido por várias equipas arqueológicas ao longo dos anos. Na exposição permanente “Campo Arqueológico da Serra da Aboboreira” podem ver-se vestígios da ocupação desta região da Pré-História à Idade Média. Pequenos arpões de sílex e jóias e peças de cerâmica ganham um contexto excepcional graças a uma maquete que representa as fases de construção de uma anta e da sua mamoa (montículo em terra e pedra). Posso dizer-vos que, pela primeira vez, graças ao grande detalhe da maquete, que inclui 120 pequenas figuras humanas pude compreender todo o processo de construção das antas. O ideal, depois de conhecer o museu, é mesmo visitar o o Conjunto Megalítico da Serra da Aboboreira no terreno, em visitas orientadas pelo serviço educativo do museu. (Marcações através do museu aqui – museu@cm-baiao.pt).

4. Descobrir um Vinho Verde muito especial

Os vinhos do Douro Verde integram-se na Região Dermarcada dos Vinhos Verdes, onde as mais antigas referências à produção do vinho remontam à época romana. Aqui, o vinho verde é macio, com um aroma singular, que lhe advém do facto de esta região estar na fronteira entre o Douro e o Minho. Além do vinho verde produzido através da junção de várias castas, há ainda o vinho verde varietal, produzido a partir de uma única casta. Baião é reconhecido pelo cultivo da casta “avesso”, de alta qualidade, que produz vinhos de cor intensa, com reflexos esverdeados com um aroma misto entre o frutado, o amendoado e o floral. O carácter dominante é o frutado, dotado de frescura mas também encorpado e persistente.

5. Provar e repetir a gastronomia local

Na gastronomia de Baião destaca-se o Anho Assado com Arroz de Forno, sempre presente em dias de festa. O fumeiro tradicional tem características únicas e a vitela arouquesa, raça autóctone, permite criar pratos de carne de uma subtileza insuperável.

Mas há outro prato indissociavelmente ligado a Baião, por ter sido dado a conhecer ao mundo por Eça de Queiroz em “A Cidade e as Serras”, o romance que o autor escreveu na Casa de Tormes: Arroz de Favas com Frango Alourado. Não resisto a deixar aqui o excerto da obra em que o prato é protagonista:

“E pousou sobre a mesa uma travessa a transbordar de arroz com favas. Que desconsolo! Jacinto, em Paris, sempre abominara favas! … Tentou todavia uma garfada tímida – e de novo aqueles seus olhos, que pessimismo enevoara, luziram, procurando os meus. Outra larga garfada, concentrada, com uma lentidão de frade que se regala. Depois um brado:
– óptimo!… Ah, destas favas, sim! Oh que fava! Que delícia!”

           In A Cidade e as Serras, Eça de Queiroz

Para provar este prato no seu melhor, reserve mesa no restaurante da própria Fundação Eça de Queiroz, ou então na Pensão Borges, no centro de Baião.

O doce típico de Baião é o Biscoito da Teixeira. Na verdade, não é propriamente um biscoito, mas antes um bolo rectangular, escuro e seco, com um suave aroma a limão e canela. É uma criação que surgiu há mais de 200 anos na freguesia da Teixeira, em Baião, e sempre foi um bolo de época de festa, consumido pelo povo de origens mais modestas, por ser um bolo simples e que se conservava por longos períodos. Dizem os locais que, com o tempo, apura os seus aromas.

6. Dormir e acordar com vista para o Douro

Ir a Baião é também ter a oportunidade de dormir e acordar com uma das melhores vistas para o rio Douro. É que é nesta zona que o leito do rio alcança a sua maior largura. E se há quem se queixe da falta de hotéis de luxo na região do Douro Vinícola, Baião está dotado da melhor hotelaria. No Douro Royal Valley Hotel and Spa, de 5 estrelas, os quartos, com magníficas varandas, abrem-se sobre um Douro imponente, largo, azul.

No andar superior, uma piscina infinita eleva a novas sensações um sentimento que eu descreveria como nadar nas nuvens.

A sensação de estar sobre o rio prolonga-se para a zona de refeições, onde os pequenos almoços são confeccionados com os melhores produtos da região.

Pequeno Almoço Douro Royal Valley Hotel

Num estilo mais clássico, Baião tem ainda o Douro Palace Hotel Resort & Spa, de 4 estrelas, com um imenso espaço exterior em socalcos a homenagear a fisiologia duriense.

Reviver Eça de Queiroz no espaço e no tempo, admirar o legado patrimonial de um grande mosteiro, entender e visitar as marcas deixadas pelos povos mais ancestrais, deliciar-se com uma gastronomia quente e um vinho frutado e fresco e acordar sobre o Douro onde este mais se alargar, são as melhores razões para visitar Baião.

Vera Dantas viajou a convite do Turismo do Porto e Norte, em colaboração com a Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa, no âmbito da iniciativa Fins de Semana Gastronómicos.

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